Empresas não perdem clientes apenas para a concorrência.
Perdem para seus próprios departamentos.
Quando Simon Sinek popularizou o
Golden Circle, ele mostrou que organizações inspiradoras começam pelo
Porquê (Why), depois definem o
Como (How) e, por fim, entregam o
O quê (What).
Mas existe uma aplicação desse conceito que raramente é discutida:
a comunicação entre departamentos.
Em muitas empresas, Marketing fala de uma forma. Comercial promete outra. Produção trabalha com prioridades diferentes. Logística mede sucesso por indicadores próprios. Financeiro enxerga o cliente por outra perspectiva.
Cada área comunica muito bem
, mas comunica um propósito diferente.
Imagine uma indústria que tem como propósito (
Why)
"ser a parceira mais confiável de seus clientes".
Se esse propósito realmente orienta a organização, cada departamento deveria responder à mesma pergunta:
Como minhas decisões aumentam a confiança do cliente?
O Marketing produzirá conteúdos que educam, e não apenas vendem.
O Comercial evitará promessas que a operação não consegue cumprir.
A Produção priorizará estabilidade e qualidade, e não apenas volume.
A Logística buscará previsibilidade, não apenas velocidade.
O Financeiro construirá políticas que fortaleçam relacionamentos de longo prazo, em vez de focar exclusivamente na cobrança.
Perceba o que aconteceu.
Nenhum departamento mudou sua função.
Mudou apenas o filtro pelo qual cada decisão é tomada.
Esse é o poder do Golden Circle.
Quando cada área trabalha apenas pelo seu próprio "o quê", surgem conflitos.
Quando todas começam pelo mesmo "porquê", surge alinhamento.
A comunicação interdepartamental deixa de ser uma troca de informações.
Ela passa a ser uma
troca de propósito.
E talvez esta seja uma das maiores responsabilidades da liderança:
Não garantir que todos falem a mesma linguagem.
Garantir que todos contem a mesma história.
Porque empresas extraordinárias não são aquelas em que os departamentos concordam sobre tudo.
São aquelas em que todos sabem, todos os dias,
por que existem.